Quem eram os fariseus e os publicanos?
FARISEUS: pessoas que exerciam grande influência sobre o povo; eram "separados". Atribuíam a si mesmos uma condição espiritual mais elevada do que a dos outros. Os sacerdotes possuíam rituais rígidos de purificação antes de comer, quanto à lavagem de mãos, copos e pratos. Eram dizimistas do patrimônio total e não apenas do acréscimo. Conheciam profundamente as leis. Entre eles, havia os que possuíam uma prática piedosa honesta (como Paulo e Nicodemos). Costumavam agradecer diariamente por não serem gentios, nem judeus incultos, nem mulheres. Oravam de pé nos cantos das ruas para serem notados.
PUBLICANOS: eram cobradores de impostos a serviço do império Romano. Eram odiados pelos judeus e vistos como traidores da pátria. Frequentemente extorquiam o povo para obter lucros adicionais sobre os tributos coletados. Exemplos: Mateus (Levi) e Zaqueu.
A Parábola do Fariseu e do Publicano
Vejamos em Lucas 18:9-14 a parábola contada por Jesus àqueles que confiavam em sua própria justiça e desprezavam os outros:
"Dois homens subiram ao templo para orar: um fariseu e o outro publicano. O fariseu, de pé, orava no seu íntimo desta forma: 'Ó Deus, graças te dou porque não sou como os demais homens, roubadores, injustos e adúlteros; nem ainda como este publicano. Jejuo duas vezes na semana e dou os dízimos de tudo quanto possuo.' O publicano, porém, estando em pé, de longe, nem ainda queria levantar os olhos ao céu, mas batia no peito, dizendo: 'Ó Deus, tem misericórdia de mim, pecador!'"
Jesus explicou que o publicano desceu justificado para sua casa, ao contrário do fariseu; pois qualquer que a si mesmo se exalta será humilhado, e qualquer que a si mesmo se humilha será exaltado.
Análise Espiritual
Fariseu e publicano encontravam-se no mesmo lugar sagrado. Ambos foram voluntariamente ao templo para orar. Neste caso, podemos observar dois polos opostos de atitude interna:
1. O religioso formal que possui uma mentalidade arrogante e auto-justificável.
2. O pecador confessante com uma atitude de sincero quebrantamento.
Nota-se que ambos começaram a se autoexaminar, e o conteúdo de suas orações foi o fruto direto deste exame. A oração do fariseu foi longa e tecnicamente cheia de verdades sobre sua conduta exterior, mas desprovida de amor. Sua postura firme e autoconfiante mostrava que Deus era apenas um cenário para sua autoexaltação. Não havia nele espaço para humildade nem arrependimento.
A oração do publicano expressava uma profunda consciência de seus erros. Ele não se julgava digno de se misturar aos demais. O publicano tinha discernimento de sua condição miserável diante do Criador e dependia inteiramente da graça divina.
O galardão do fariseu foi apenas o aplauso passageiro dos homens, enquanto o do publicano foi a paz e o perdão diante de Deus.
Somos salvos não por nossos méritos, mas pela maravilhosa graça e misericórdia de Deus, que triunfa sobre o juízo. Somente um arrependimento genuíno e humilde é capaz de abrir as portas da justificação divina.